terça-feira, 7 de abril de 2009

Saúde


O Cancro do Colo do Útero atinge, em Portugal, 17 em cada 100 mil mulheres, registando os valores mais altos da União Europeia, segundo dados apresentados no Congresso Europeu sobre Infecções Genitais e Neoplasias (Eurogin 2006). A nível mundial, o cancro do colo do útero mata uma mulher a cada dois minutos e destrói a vida sexual, familiar e social das sobreviventes deste carcinoma. Dor, desespero, culpa, disfunção sexual, redução da fertilidade são algumas das consequências do cancro do colo do útero.

O Cancro do Colo do Útero tem a sua origem num dos vários tipos de Vírus do Papiloma Humano (HPV). O seu contágio ocorre na maior parte das vezes por via sexual. Estima-se que 80% das mulheres e dos homens tenham contactado com o vírus nalguma fase da sua vida. Na maior parte das vezes a infecção é assintomática, o que significa que as pessoas desconhecem que a têm. Nos casos em que isso não acontece, esta situação pode levar ao aparecimento do Cancro do Colo do Útero.

Factores de risco

O risco aumenta com o início precoce das relações sexuais e com o número de parceiros sexuais que uma pessoa tem ao longo da vida. As defesas imunológicas têm um papel fundamental ao proteger o desenvolvimento da infecção. Normalmente, a maioria das mulheres é capaz de combater a infecção.

Diagnóstico

A infecção por HPV pode ser diagnosticada de várias maneiras. A citologia do colo do útero, vulgarmente conhecida por Exame de Papanicolau, pode detectar as alterações celulares causadas pelo vírus. Estas alterações podem também ser detectadas através de um exame chamado Colposcopia que consiste na observação do colo do útero com um microscópio ou, no caso dos homens, através da observação do pénis com uma lupa - a Peniscopia. O Papanicolau deve ser realizado, nos Centros de Saúde, em todas as mulheres com vida sexualmente activa, pelo menos uma vez por ano. Se o resultado do exame for negativo ao longo de três anos, a sua repetição só precisa de ocorrer de três em três anos. Se, pelo contrário, o exame revelar lesões, a resposta deve passar pela detecção do HPV, o qual pode ser realizado nos laboratórios do Estado - como os que existem, por exemplo, nos IPO.

Métodos de Tratamento

Como ter a infecção não significa ter a doença, a infecção por si só não necessita de tratamento. No entanto, algumas manifestações da infecção como os condilomas (verrugas) da vulva, nas mulheres, ou do pénis, nos homens. Se as alterações nas células ou nos tecidos são ligeiras, muitas vezes, não é necessário tratar, bastando uma vigilância adequada pelo seu médico. Já nos casos em que se verifiquem anomalias severas, o/a médico/a irá aconselhar o tratamento adequado. Há relativamente pouco tempo surgiu a possibilidade de prevenir o aparecimento desta doença através da vacina do colo do útero. Esta é actualmente gratuita para as jovens com 13 anos e passam, assim, a ser vacinadas com a vacina contra o vírus do papiloma humano (HPV).
O ministério da Saúde anunciou que a partir de 2010 serão disponibilizadas estas vacinas para as jovens que nasceram em 1997 e entre 2009 e 2011 está previsto vacinar as raparigas que naquela altura tenham 17 anos.
O rastreio do cancro do colo do útero é aconselhado a todas as mulheres entre os 25 e os 64 anos. Trata-se de um simples exame ginecológico que pode ser realizado gratuitamente em qualquer centro de saúde do país. Dada a importância da prevenção, foi lançada uma campanha destinada a mulheres a partir dos 25 anos para incentivar o rastreio regular.

Agora podemos questionar uma coisa: E as jovens que têm actualmente 20 anos por exemplo? Não têm a mesma oportunidade que as mais novas? Não têm os mesmos direitos? É verdade que as vacinas são muito dispendiosas e não é fácil para o Estado arcar com as despesas de todas as jovens do país simultaneamente, mas podiam tentar arranjar outra solução e dar respostas à população não acham?

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