segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Sinto-te.

Senti-te durante 23 anos. Entrei na tua vida e deste-me tudo. Deste-me amor, educação, ensinaste-me a crescer. Rimos juntos, chorei no teu ombro pelas nossas perdas, senti o teu abraço. Agora sinto-me mais pobre. Sei que sentiste orgulho de mim por tudo o que alcancei até hoje. Sei que sentias orgulho a cada dia que passava, e sabes porquê? Porque me ensinaste grande parte do que sou hoje. Por isso mesmo só posso agradecer e dizer, escrevendo, o quanto te amo e as saudades que sinto. Ainda estou à espera que venhas bater à minha porta. Ainda espero que venhas almoçar, ainda espero que me digas outra vez que gostas muito que te vá ver muitas vezes. Ainda espero que seja tudo um sonho e que amanhã regresses. Fazes-me tanta falta! As nossas tradições da Páscoa, os nossos almoços, só nossos, sempre divertidos e saborosos, as duas colecções de que tinhamos tanto orgulho, o clube do nosso coração, o partido do nosso coração, o amor pela família, o entusiasmo pela natureza, tanto em comum...! Nem tudo são maravilhas e, como todas as famílias, também tinhamos as nossas divergências. Mais umas palermices próprias da diferença de idades do que zangas sérias, mas era tudo isto que nos tornava normais e avô e neta. Viste-me crescer e eu vi-te fugires-me entre as mãos... Ficou tanto por fazer, por dizer, por partilhar. Hoje, como em todos os dias desde aquele horrível dia, senti-te e continuo sempre a sentir saudade vovô.

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